O que é o D Mini e o que é que ele clona?
A Behringer colocou o seu D Mini em pré-encomenda na UE por 99 euros, e a proposta é simples: o som de um Moog Minimoog Model D, o sintetizador que ancora as frequências graves na música de dança desde os anos 1970, numa caixa amiga da bateria que cabe numa mão. Três osciladores, cinco formas de onda cada, um filtro ladder passa-baixo com ressonância, ruído branco e rosa. A ossatura é puro Model D.
O que o D Mini acrescenta é exatamente o que o original nunca teve. Há um sequenciador de movimento de 16 passos com oito slots de memória que grava os movimentos dos potenciómetros, um scaler integrado e quatro modos de voz: parafónico de três vozes, unison, ring modulator e mais. Cada potenciómetro fala MIDI para edição e armazenamento de patches. É um Minimoog que se sequencia a si próprio e dialoga com o teu DAW.
Onde é que ele corta nas esquinas?
São 99 euros, por isso algo cede. O D Mini chega com um único envelope ADS em vez dos dois do Minimoog, e perdes o contorno dedicado ao filtro em que os instrumentistas se apoiam. O teclado é uma tira tátil de 27 teclas que também serve de menu, não uma cama tocável. A alimentação é USB-C a partir de um telemóvel, de uma power bank ou de um portátil. Nada disto é impeditivo a este preço, mas é a diferença entre um fazedor de ruído de bolso e um instrumento de palco.
Por que é que um clone de Moog de 99 euros importa para a house e o techno?
A linha de baixo do Minimoog é estrutural. Assenta sob décadas de house de Chicago, techno de Detroit e tudo o que cresceu a partir daí. Até há pouco, esse som significava uma unidade vintage a preço de colecionador ou uma reedição de mais de 1.000 euros. Uma versão de 99 euros com sequenciador derruba o piso de entrada, e esse é todo o manual da Behringer: clonar os clássicos, baixar o preço de toda a gente, discutir depois. Os produtores que nunca gastariam o dinheiro da renda num Model D verdadeiro podem agora pôr esse growl exato numa faixa este fim de semana.



