A história de 2026 nos festivais é um halter. Em uma ponta, Tomorrowland, EDC e Coachella esgotam. Na outra, os gigantes. E o meio, a parte que mais importa para um DJ de house em atividade, está caindo.
Quantos festivais foram de fato cancelados?
A contagem mais limpa vem da Association of Independent Festivals do Reino Unido, que somou 39 festivais cancelados até meados de junho de 2025. Isso veio depois de 78 cancelamentos em 2024 e 36 em 2023, e eleva para 249 o número total de festivais britânicos perdidos desde 2019, dos quais 96 caíram durante a pandemia. A CNN, noticiando em junho de 2025, colocava o número mais amplo em mais de 40 cancelados antes mesmo de o verão começar.
Os nomes dizem onde o estrago cai. Pitchfork em Chicago, desaparecido após quase duas décadas. Balaton Sound na Hungria, em pausa. Creamfields Hong Kong, Sick New World, Global Dance, Field and Stream, todos cancelados. No mundo do house e do techno em especial, Desert Hearts, uma instituição de 13 anos fundada em 2012, anunciou que pularia 2026, com os organizadores dizendo que as exigências de produzir um festival em larga escala tinham começado a ofuscar sua música e sua vida pessoal.
Por que o meio e não o topo?
Porque o meio não tem balanço contábil para absorver o choque. Os custos de infraestrutura (segurança, gradeamento, palcos, seguros) subiram de 30 a 50 por cento desde 2019. Os cachês garantidos das atrações principais escalaram para os milhões, com relatos de festivais diante de pedidos perto de 5 milhões de dólares por uma única atração. Um festival que vende 200.000 ingressos consegue diluir esses custos. Um que vende 15.000 não consegue, e essa é exatamente a faixa, abaixo de 30.000 de capacidade, onde a AIF agora pressiona os governos por um alívio fiscal dedicado a festivais, espelhado nos benefícios já concedidos ao teatro e às orquestras.
O festival de médio porte que desaparece é o degrau onde a maioria dos DJs de house aprende a impor um cachê. Tire-o e a escada fica sem meio.
Há também um corte do lado da demanda. Como disse Will Page, ex-economista chefe do Spotify, os fãs "apostam tudo para ver a Taylor Swift, e você nem se dá ao trabalho de ir ao festival". A turnê principal está devorando o fim de semana de festival.
O que isso faz com o house em específico?
Esta é a parte que os festivais troféu escondem. Um DJ não pula de um clube de 400 para um palco principal. A escada de cachês se constrói sobre o circuito intermediário: o festival dance regional, o weekender boutique, o campo de 8.000. É ali que um booking agent prova que um artista sabe mover uma multidão e justificar o próximo cachê. Quando essa faixa desaba, a escada perde os degraus do meio, e os únicos artistas que continuam subindo são os que já são grandes o bastante para vender uma turnê com o próprio nome.
John Rostron, da AIF, chamou um fechamento de "indicativo dos desafios que o setor de festivais independentes enfrenta neste momento", argumentando que um alívio fiscal teria dado a ele "o espaço de que precisava". A versão sem rodeios: os eventos que formam as atrações principais de amanhã estão sendo expulsos do mercado pela mesma base de custos que as atrações principais conseguem ignorar com um dar de ombros.



