Por que uma atração principal toca de graça?

Claude VonStroke, de nome verdadeiro Barclay Crenshaw, organiza eventos ao ar livre há décadas, e neste verão está dando alguns de graça. A série «Wrong#Number» de Claude VonStroke chega gratuita e ao ar livre a Chicago em 14 de junho, a Los Angeles em 12 de julho e a Denver em 18 de julho, com inscrições feitas, meio na brincadeira, por um número de telefone. O resto da campanha do álbum Wrong Number segue a mesma lógica: casas pequenas, lotação reduzida e nenhum nome no topo do cartaz. É a inversão deliberada do jeito como um DJ do nível dele deveria fazer turnê.

Ele diz sem rodeios. «Não quero mais ser o número um nem ser atração principal de megafestivais», contou ao Beatportal. «Já fiz de tudo. Consegui tudo o que queria, então faço só o que tenho vontade, sem me preocupar com as panelinhas nem em agradar a turma de sempre.»

O que aconteceu com a Dirtybird?

Essas festas gratuitas são a parte visível de uma decisão tomada há três anos. Em outubro de 2022, VonStroke vendeu a Dirtybird, o selo que tinha fundado em 2005, à distribuidora de San Francisco EMPIRE, ficando apenas com um papel de A&R sobre o catálogo. Ele admitiu sem rodeios que tocar a marca tinha acabado sufocando a música: pelas próprias contas, havia caído para cerca de uma faixa por ano e funcionava mais como um executivo do que como produtor.

«Eu já não conseguia levar o barco aonde queria; era melhor sair do que continuar sendo um capitão infeliz.»

Depois sumiu na bass music. Por quase dois anos fez hip-hop e jungle com o nome de Barclay Crenshaw, seu nome de batismo, e voltou ao house, diz ele, «com menos frescura». Wrong Number, lançado em 22 de maio de 2026, é o resultado: seu primeiro álbum desde Freaks & Beaks, de 2020, com quase todas as vozes cantadas pela própria família em vez de convidados famosos.

Modelo de verdade ou volta de honra?

Os dois, e é justamente isso que vale a pena acompanhar. VonStroke pode se dar ao luxo de dispensar o cachê dos festivais porque já o embolsou e vendeu o selo. A maioria dos artistas não pode. Mas a aposta de fundo, de que uma casa intimista e uma entrada gratuita valham mais do que um cachê de palco grande, é exatamente o que boa parte do underground defende enquanto a alta dos cachês e a economia dos festivais sufocam todo mundo abaixo da linha das atrações principais.