A Om Records completou 30 anos este ano, e o que há de mais honesto nesse marco é aquilo que o selo de San Francisco não fez. Não correu atrás do boom do big-room EDM dos anos 2010, mesmo quando artistas formados no seu elenco, Kaskade, Claude VonStroke, Justin Martin, surfaram exatamente essa onda até as arenas e os nomes de topo de festivais. O fundador Chris Smith, que grava como Shiny Objects, é direto sobre o porquê. "There were so many trends that came along that were, in my view, so cheesy," diz ele. Essa virada, acrescenta, simplesmente não estava "in my DNA."
Trinta anos e mais de 800 lançamentos depois, é essa decisão que conta a história.
Manter-se independente, quanto custou de verdade?
Smith e Steve Gray começaram a Om em 1995, numa San Francisco que ele descreve com "solid club nights seven nights a week." O selo construiu um catálogo entre deep house, downtempo e hip-hop: a série Mushroom Jazz de Mark Farina, Colette, DJ Heather, J.Boogie. É uma discografia de autor, não uma máquina de hits, e Smith não romantiza as contas. "Running a label is a very tough business," ele disse, "and it can take years to generate enough revenue to support even one person."
Ele é igualmente lúcido sobre a guerra de formatos a que sobreviveu. "First it was Napster downloads, then the bottom fell off the CD market and nobody was buying vinyl anymore," diz. "We weathered them all, but it was challenging."
Por que um catálogo de 800 lançamentos sofre na era do streaming?
Aqui está o custo mais silencioso. Smith observa que catálogos de selo como o da Om ficaram "largely left behind in the artist-centric streaming era." Playlists e algoritmos direcionam a atenção para os artistas e para o novo, não para o catálogo antigo de um independente de 30 anos. Um selo que construiu o seu valor sobre arquivos profundos e curados descobre que esse arquivo vale menos num sistema que não o coloca em destaque.
Sobreviver ao Napster, ao colapso do CD e à queda do vinil foi a parte fácil. O arquivamento silencioso do catálogo na era do streaming é a parte difícil.
Como a Om está marcando os 30 anos?
Com o físico e uma festa em casa, não com um empurrão no streaming. O selo lançou uma coletânea de 18 faixas, "Om Records, 30 Years," em 8 de maio de 2026, reunindo Kaskade, Mark Farina, Colette, Groove Armada, Samantha James, Homero Espinosa e outros. No dia seguinte montou uma festa diurna gratuita na Embarcadero Plaza de San Francisco, que atraiu mais de 6.000 inscritos, seguida de um show noturno no The Great Northern, e depois uma data em Los Angeles no Jungle Hollywood em 16 de maio. De graça, em público, na cidade que o viu nascer: uma boa forma de um selo marcar três décadas fazendo as coisas do jeito não lucrativo, e de propósito.



