O que faz realmente o OneLibrary?

Durante anos o teu set preparado ficava refém do ecossistema em que o construíste. Os cue points marcados no rekordbox ficavam no rekordbox, os loops e as grelhas definidos no Traktor ficavam no Traktor, e uma biblioteca criada no djay num iPad vivia nesse iPad. O OneLibrary é a trégua. É um formato de exportação partilhado que grava os elementos com que um DJ realmente toca, playlists, BPM, tonalidade, cue points, beatgrids, formas de onda e o próprio áudio, numa única estrutura que qualquer software ou leitor compatível consegue abrir. Preparas uma vez, levas um USB e o set é reconhecido quer te ponhas num leitor autónomo do clube quer abras outro software em casa.

Que equipamentos e software o falam?

Para já, o djay Pro consegue escrever uma exportação OneLibrary, e o rekordbox está no meio, a alimentar o formato e a lê-lo como os leitores esperam. O suporte do Traktor Pro 4 e do Traktor Play está assumido para próximas atualizações e não desde o primeiro dia. No hardware, o formato aponta aos leitores que a maioria dos DJ no ativo encontra num palco: os CDJ-3000X, o CDJ-3000 com firmware 3.30 ou superior, o XDJ-AZ, o OPUS-QUAD e o OMNIS-DUO. A promessa é a que os DJ pedem há uma década: montar a noite no software à tua escolha, pô-la numa pen e tocá-la no equipamento da cabine sem portátil.

Porque é que três rivais aceitariam isto?

Porque o bloqueio começava a custar-lhes mais do que os protegia.

"O OneLibrary é um grande passo rumo a um ecossistema de DJ mais aberto e colaborativo", afirmou Nick Williams, CEO da empresa por trás do Traktor.

O presidente da AlphaTheta, Yoshinori Kataoka, apresentou o lançamento como "um passo em frente para tornar a expressão criativa mais fluida para os DJ de todo o mundo", e Karim Morsy, da Algoriddim, vendeu-o como a hipótese de os utilizadores do djay tocarem "a qualquer hora e em qualquer lugar, em equipamento profissional". Nas entrelinhas: o líder dos leitores autónomos, a app de DJ para telemóvel mais popular e uma das marcas históricas do DJing em computador decidiram que um bolo partilhado maior vale mais do que três jardins murados.

Onde fica aquém?

Isto é interoperabilidade, não uma biblioteca universal, e as lacunas são reais. Dois dos maiores nomes da cabine, o Serato e o Engine DJ da Denon, não estão na aliança, pelo que uma grande fatia dos DJ no ativo continua de fora. A transferência é na prática unidirecional por agora e, segundo o Digital DJ Tips, há um desvio temporal dos MP3 de até cerca de 30 milissegundos quando os ficheiros passam de uma plataforma para outra, o suficiente para mexer em cues, loops e grelhas, sem correção integrada para já. O próprio OneLibrary admite que não consegue garantir que tudo sobreviva à ida e volta. Encara-o como uma ponte real entre três grandes ilhas, não como um continente terminado.