Leia os balancos de fim de ano como um gestor de selo, nao como um fa. A Beatport fechou 2025 com o tech house no topo das vendas pelo terceiro ano seguido, um dado reafirmado no Business Report 2026 da IMS. Essa e a historia do volume, e esta resolvida. A linha interessante esta logo abaixo: o afro house e o genero que mais cresce na plataforma, descrito abertamente pela Beatport como "candidato a um lugar no top cinco", e o crescimento e o numero que move o dinheiro na proxima temporada, nao o tamanho do catalogo.

Os dois fatos nao se contradizem. Juntos, sao uma previsao.

Quem realmente faturou com o ano do tech house?

Os vencedores sao poucos e conhecidos. Mau P assinou as duas faixas de tech house mais vendidas do ano, "Like I Like It" em primeiro e "The Less I Know The Better" em segundo, e liderou sozinho a tabela de artistas. Atras dele ficaram Max Styler, Chris Lake, SIDEPIECE e Prospa. No lado dos selos, a ordem foi Catch & Release, Black Book Records, Toolroom e Experts Only.

Repare no que e essa lista: um punhado de selos de artista e estruturas boutique, varios deles nas maos dos mesmos nomes que enchem a tabela de faixas. O genero numero um da loja e, na pratica, um punhado de salas.

Por que o que "mais cresce" vence o "maior"?

Porque os orcamentos de A&R e de booking se definem pela inclinacao, nao pelo tamanho. Um genero que ja e numero um nao tem mais como surpreender; o seu crescimento esta em grande parte garantido de antemao. Um genero que ganha quota depressa e onde se decidem a proxima guerra de contratacoes, o proximo dinheiro dos sample packs e o proximo palco de festival. O afro house e o que mais sobe na Beatport desde que foi nomeado Hype Genre em 2024, e o relatorio da IMS o classifica como "uma das areas de crescimento mais dinamicas".

E por isso que a sua tabela se le ao contrario da do tech house: a maior faixa de afro house do ano foi Maesic com Marshall Jefferson e Salome Das, "Life Is Simple (Move Your Body)", e os principais selos foram Make The Girls Dance, Helix e MoBlack. Outros nomes, outros donos, outro dinheiro.

O tech house ganhou o volume. O afro house esta ganhando a reuniao do orcamento.

O que isso prepara para 2026?

Uma redistribuicao. A tabela do tech house e madura e de propriedade fechada, o que significa que o ganho facil ja passou e que a jogada inteligente e defender a margem, nao correr atras de quota. O terreno aberto e o afro house, onde o catalogo ainda esta sendo construido e a propriedade ainda esta por decidir. Espere que as politicas de demos, os lancamentos de selos e a programacao de Ibiza pendam para esse lado, mesmo que o tech house mantenha o numero da manchete.