Uma agencia de booking nao encabeca festivais, por isso quando uma e posta a venda raramente chega a imprensa da dance. Esta devia chegar. No dia 13 de fevereiro de 2026, Casey Wasserman disse a equipa que estava a vender o grupo que agenda em silencio um terco dos maiores cartazes do planeta, e a musica eletronica que controla nao e um rodape nesse catalogo. Sao alguns dos artistas que mais faturam do genero.

Porque e que a agencia esta de repente a venda?

Duas semanas antes, a 30 de janeiro, o Departamento de Justica dos EUA divulgou um lote de arquivos de Epstein que trouxeram a tona as ligacoes de Casey Wasserman a Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein. Agiu depressa. Na nota com que anunciou a venda escreveu que se tinha "tornado uma distracao", e afastou-se da gestao do dia a dia enquanto Mike Watts assumia as operacoes.

O escandalo e o gatilho, nao a estrutura. Wasserman ja era um objeto financeiro: a Providence Equity Partners e a acionista maioritaria desde muito antes de tudo isto, e a agencia e menos uma unica empresa do que uma pilha de aquisicoes, com o antigo negocio musical da Paradigm integrado depois de 2021. O que mudou em fevereiro foi que o fundador se tornou um fardo que os investidores ja nao conseguiam carregar em silencio.

O que e que o comprador leva de facto?

Quota de cartaz, sobretudo. Os numeros sao a noticia: a Wasserman Music detem 33 % da programacao de Coachella, contra cerca de 12 % cada uma de WME, UTA e CAA. Soma-se 38 % do Governors Ball, 35 % do Electric Forest, 34 % do Bonnaroo. Do lado eletronico isso significa os calendarios de tour de Skrillex, Fred again.., ODESZA e Calvin Harris, ligados a mesma secretaria que contrata Ed Sheeran e Coldplay.

Quem assina o cheque nao compra uma marca. Compra o calendario que decide em que fins de semana os maiores artistas do genero podem tocar, e onde.

Quem continua a rondar?

Quando chegou a mudanca de nome, a 9 de marco, a agencia chamava-se "The Team" e a Moelis conduzia um processo que se esperava ultrapassar mil milhoes de dolares. Os compradores estrategicos obvios, CAA e WME, ficaram em grande parte de fora, desconfiados dos conflitos que vem com absorver o roster de um rival. Sobram a UTA, o veiculo de Patrick Whitesell apoiado pela Silver Lake, e os nomes do private equity: Bruin Capital e Arctos, da KKR. O desfecho realista parece menos uma agencia a engolir outra e mais um proprietario financeiro a comprar os carris.

Entretanto, o roster vota com os pes. Chappell Roan, Laufey e John Summit sairam, e os Imagine Dragons abriram conversas com a CAA, embora essa conversa seja anterior aos ultimos arquivos. Cada saida corta um ponto a quota de cartaz que e todo o ativo. O relogio de uma venda limpa e o relogio de quantos nomes de peso ficam.