Ha quinze anos a ideia beirava o contrassenso: por as pessoas a dancar a luz do dia, num espaco decorado para parecer outro lugar, com uma musica que mirava a emocao em vez da forca. Em 2026 essa ideia e o estilo da casa de toda uma faixa, e quem a cunhou continua a comanda-la.

De onde veio mesmo o All Day I Dream?

Lee Burridge e Matthew Dekay lancaram o All Day I Dream num terraco de Williamsburg no fim do verao de 2011. A semente foi o mix de Burridge na Resident Advisor em 2008, "All Day I Dream of Her", e o motor foi uma reacao: depois de anos a discotecar pela Asia, Burridge queria virar as costas as salas de dark techno que definiam a cena americana da altura e construir algo que pusesse a comunidade a frente da cabine.

O som assentou na franja mais profunda, emotiva e melancolica da house, aquilo a que a cena hoje chama organic e melodic house. Mas o diferencial nunca foi so sonoro. Era o espaco: ao ar livre, de dia, vestido de tecidos esvoacantes, fios de luzes e lanternas, uma estetica que Burridge trouxe da Asia e do Burning Man, calculada de uma ponta a outra para que as pessoas pudessem mesmo ligar-se.

Como e a pegada dos quinze anos em 2026?

A marca ja viaja como um circuito. A turne de 2026 abrange Londres no Studio 338 (4 de abril), uma temporada em Ibiza a partir de 25 de abril, Cidade do Mexico, o Golden Gate Park de San Francisco a 6 de junho (a sua decima edicao anual nesse parque), Barcelona e a Industry City do Brooklyn a 20 de junho, a um passo, em espirito, de onde comecou.

Na ilha opera a partir dos jardins do Las Dalias e do Akasha, o que lhe da duas casas em Ibiza em vez de uma so residencia. Essa amplitude, varios continentes sob uma mesma imagem e uma mesma assinatura de programacao, e a parte que os rivais estudam.

A unidade replicavel nunca foi uma faixa. Eram o terraco, os tecidos e a promessa do dia, engarrafados e enviados de cidade em cidade.

Porque e que toda a gente no organic house a copia?

Porque resolveu a economia do ao vivo para um som que nao enche um megaclube a forca de BPM. Uma estetica repetivel, um cartaz escolhido a dedo, entrada gratuita ou sem atritos para construir o publico, e uma editora a alimentar as festas: esse ciclo e hoje o manual padrao do promotor de organic house, das day party de boutique aos palcos secundarios dos festivais. O ADID nao inventou a house emotiva, mas construiu a mecanica de franquia que permite a house emotiva andar em turne.