Os festivais não costumam morrer às 9h25 da manhã. O Music On de Marco Carola morreu, a 9 de maio de 2026, com 20.000 bilhetes vendidos e os portões marcados para o meio-dia. O motivo não foi o cartaz, nem o tempo, nem o dinheiro. Foi uma tenda, e uma papelada que ninguém fechou a tempo.

O que correu mesmo mal?

A licença existia. O Music On recebeu-a a 16 de março. Um dia depois, a 17 de março, o promotor avisou o município de que queria outra estrutura: uma tenda redonda, sem os pilares de apoio que tapavam a vista na versão original. Na prática, uma sala bem melhor para uma rave de 20.000 pessoas. Na burocracia, uma coisa nova que precisava de aprovação.

Essa aprovação nunca chegou de forma utilizável. A agência ambiental de Amesterdão tinha de dar uma avaliação de segurança sobre a nova tenda e, a 5 de maio, a quatro dias do evento, comunicou à cidade que não conseguia emitir uma favorável. Sem um veredicto de segurança limpo sobre a estrutura onde o público iria mesmo estar, o presidente da câmara revogou a licença na própria manhã do show.

De quem é a culpa do atraso?

É aqui que fica incómodo para todos. Segundo a autópsia da NL Times, a cidade enviou emails de aviso a 13, 23 e 30 de abril e de novo a 4 de maio, a cobrar respostas depois de o promotor dizer que ainda não tinha tido notícias. Lido de uma maneira, é um promotor à espera de uma agência lenta. Lido de outra, são semanas de sinais de alerta antes de um parecer negativo cair a quatro dias do fim.

O próprio comunicado do Music On enquadra isto como um colapso do sistema: a cidade pediu documentos adicionais a 25 de março, não levantou qualquer objeção de fundo até 6 de maio, e depois passou de um "está tudo em ordem" na véspera para uma licença morta horas antes da abertura. O promotor falou de "um sistema que falhou com toda a gente".

Confirmação na véspera de que está tudo em ordem e depois revogação horas antes dos portões. É essa falha que os promotores têm agora de segurar.

O tribunal mudou alguma coisa?

Não. O Music On apresentou uma providência cautelar de urgência e perdeu. O tribunal decidiu que o presidente da câmara tem poder discricionário sobre a segurança pública e estava legitimado a apoiar-se no parecer negativo da agência ambiental como motivo para duvidar da tenda. E ponto crucial: o tribunal não decidiu, ele próprio, se a tenda era segura. Apenas decidiu que o presidente da câmara estava autorizado a agir com base no parecer que tinha.

Para quem comprou bilhete, a aterragem é suave: os ingressos continuam válidos para a próxima edição amsterdamesa, ou pode-se pedir reembolso.