Dois anos depois de um protótipo estar sob vidro no Superbooth 2024, a Erica Synths e Richie Hawtin puseram enfim a Bullfrog Drums em mãos reais. As primeiras unidades saíram a 6 de maio de 2026, e o argumento é invulgar para uma máquina de assinatura: não é o equipamento de palco da lenda do techno em miniatura, é um instrumento pedagógico com profundidade que chegue para não se esgotar num fim de semana. Dá seguimento à Bullfrog Synth, o mono educativo e luminoso que tornava legíveis as ideias modulares, e aplica a mesma lógica à bateria.
O que há mesmo dentro da máquina?
Sete vozes baseadas em sample, cada uma com os seus controlos: pitch, decay, ponto de loop, cutoff, ressonância, drive e pan. É um sampler, não uma arquitetura de vozes analógicas fixas, o que quer dizer que cada faixa pode ser um kick, um hat, um clap, um som encontrado ou um chop vocal. Há 64 MB de memória de amostras, sete bancos de material de fábrica reunidos por Hawtin e pela equipa Erica, e espaço para até dezasseis bancos teus. Carregas as amostras por USB-C, pela entrada de áudio traseira, ou gravando direto na unidade, por isso a coisa consegue comer o som da sala onde está.
É no sequenciador que se esconde a profundidade. Uma grelha XoX de 64 passos com ratcheting, probabilidade e microtiming, mais parameter locks e automação por faixa, organizada em quatro bancos de dezasseis padrões. É o mesmo vocabulário das máquinas com que os produtores de minimal já montam sets inteiros, só que disposto para um iniciante ver a causa e o efeito.
É mesmo uma ferramenta de aprendizagem, ou uma frase de marketing?
A Erica apresenta a Bullfrog Drums como "optimised for a learning path" pela programação de ritmo e pelo sampling, e o hardware confirma isso em vez de o esconder. Botões com clique, potenciómetros com código de cor e coluna integrada: podes esboçar um groove sem um único cabo nem cadeia de monitorização. O corpo em alumínio mede 40,5 por 18,5 por 6 cm e pesa 2,7 kg, por isso fica entre o brinquedo de secretária e a peça fixa de estúdio.
O sinal é que a conectividade não para no iniciante. MIDI de cinco pinos de entrada e saída, USB-C para MIDI, firmware e backups, saída estéreo, entrada de linha, ficha de auscultadores, e CV em 1V/oct, gate, reset e relógio de entrada e saída. Esse último conjunto é a ponte para um case Eurorack ou um sinte externo, exatamente o caminho que um dono curioso toma ao fim de seis meses.
Uma bateria eletrónica que agrada a um iniciante logo no primeiro dia e ainda se liga a um modular no dia duzentos é um design bem mais raro do que a ficha técnica sugere.
Onde se posiciona face aos suspeitos do costume?
A 600 euros mais IVA fica abaixo das grooveboxes boutique com que vai ser comparada, e aposta no sampling em vez da síntese de bateria analógica emulada, a escolha mais flexível para o minimal texturado e fora da grelha que se associa a Hawtin. O microtiming e a probabilidade são o que conta para esse som: é assim que fazes um padrão respirar em vez de marchar. O conteúdo de fábrica de um produtor com esse pedigree é um atrativo real, mas o jogo a longo prazo é ensinar as pessoas a gravar e moldar o seu.



